Sacerdócio universal dos cristãos e ministério da Igreja
Apreciações balizadas na Teologia de Martinho Lutero
DOI:
https://doi.org/10.25188/FLT-VoxScript(eISSN2447-7443)vXXVI.n1.p31-75.GJFPalavras-chave:
Doxologia, Exortação mútua, Ministério da Igreja, Ordenação e multiplicação de ministérios, Sacerdócio UniversalResumo
Aprecia-se o entendimento do reformador Lutero acerca do tema do Sacerdócio Universal e Ministério da Igreja. Emergem os serviços que a igreja ordena para o seu funcionamento unicamente do sacerdócio comum aos que creem? A hipótese deste artigo ausculta não ser possível encontrar justificativa que ateste outro fundamento para o ministério eclesiástico. O sacerdócio dos cristãos advém do sumo sacerdote Jesus. É dádiva, por Deus instituído para o seu louvor; é participação no ministério de reconciliação. Ser cristão corresponde a nascer sacerdote pela fé: realidade que se inicia na presença de Deus, para então realizarse entre as pessoas. Na teologia de Lutero, o assunto abre possibilidades para se refletir a respeito da organização da vida e trabalho da igreja. O ministério atribuído a determinadas pessoas não comunica às mesmas poder superior, pois o serviço de apoio mútuo à vivência da fé não é limitado a estas. A única fronteira do ministério é a que promove a vida em comunidade. Sacerdote em serviço é o cristão ensinado por Deus a viver em liberdade, integrado a um círculo exortativo comunitário. O propósito da igreja, segundo o Novo Testamento, deveria sempre voltar-se à multiplicação dos ministérios. A Palavra que foi confiada por Deus a todos e por estes é anunciada, necessita, porém, de uma ordenação de pessoas específicas para promovê-la. Quantos forem necessários devem ser escolhidos para assumir funções ministeriais. Trata-se de exigência de ordem. Mas afinal, o ministério da Palavra foi confiado à igreja toda ou somente a alguns? Sustenta-se não haver contradição no pensamento de Lutero, pois toda espécie de ministério emerge do Sacerdócio Universal: o serviço de todos demanda o de alguns em nome dos demais. A evidente tensão necessita ser mantida e pode ser proativa, pois o ministério de uns é o mesmo atribuído por Deus para toda a igreja. Oração e exortação mútua se apresentam como caminho para que o ministério não seja transformado em campo de conflito e em desiderato, uma manifestação dos nefastos desejos que se escondem na natureza humana.
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