Neurociências e antropologia cristã

uma introdução

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25188/2447.7443.2015v23n1.317

Palavras-chave:

Neurociências e filosofia, Antropologia e fé cristã, Falácia mereológica, Criptocartesianismo

Resumo

 A presente introdução situa o tema neurociências e antropologia cristã. A aproximação se dá por seu viés filosófico, para, na sequência, serem feitas considerações teológicas. Vem sendo considerada, em meios científicos, uma enfermidade crer na existência de um Eu que é senhor sobre o seu corpo e indaga-se se já é possível, com base nos conhecimentos que se possui acerca do funcionamento do cérebro, assumir o ser humano como uma máquina biomolecular que reage unicamente à lei da causalidade. Não há mais espaço para discorrer sobre a alma? Uma explicação de ordem estritamente biológica para o evento da consciência contribui para a defesa do valor do gênero humano? Estas discussões abonam o envolvimento dos cristãos no tema, pois, segundo o testemunho bíblico, a pessoa é o alvo central do amor de Deus. O atual estágio do debate sugere que os arranjos do dualismo cartesiano e do monismo reducionista não se apresentam como alternativas para responder a estas e outras indagações. A consciência e a liberdade pessoais são, de longe, enigmas decifrados por completo. É a pessoa, não uma parte sua, quem percebe, pensa, lembra, se emociona, se motiva, é atenta e produz impulsos. Homens e mulheres, segundo o testemunho bíblico, são criaturas vivas integrais e indivisíveis, caídas em pecado, expulsas da presença de Deus, carentes de reconciliação. A variável estrutural e materialista do velho cartesianismo equivale à asseveração de que se tem um corpo e que se está no crânio deste. Entretanto, é preciso superar esta ideia de ter na cabeça algo que a faz consciente. A vida diária das pessoas traz à tona que simplesmente se é tudo isto que se apresenta de modo indivisível. A teoria da alma cartesiana, com sua função de produzir o ser pensante, parece não mais necessária. Os conhecimentos sobre o funcionamento dos neurônios converte o pequeno órgão cinzento em suficiente para fazer emergir a vida consciente. Argui-se, porém: pode a alma ser rejeitada, uma vez assimilada como a manifestação da própria vida? É preciso assegurar a manutenção da tensão implicada na afirmação do corpo e da vida que nele se manifesta. O diálogo tem caráter interdisciplinar e deve pôr-se, de um lado, a serviço do desenvolvimento das sempre mais refinadas descobertas acerca da anatomia e da f isiologia do cérebro e do uso ético destas e, de outro, da afirmação do valor do ser humano que as transcende. A incumbência evangélica é anunciar a superação de todos os dualismos, a reconciliação do ser humano em Cristo.

Biografia do Autor

  • Gerson Joni Fischer, Faculdade Luterana de Teologia

    Doutor em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST), professor no Mestrado Profissionalizante e no Bacharelado em Teologia (EaD) das Faculdades Batista do Paraná (FABAPAR), Curitiba, PR – Brasil. Pós-Doutorado em Berlim, Alemanha, abril a novembro de 2010. Ênfase da pesquisa: neurociências e neurofilosofia. Grande área: Ciências Humanas/ Áreas: Filosofia e Teologia. Local da Pesquisa: Humboldt University of Berlin. Apoio: Dr. José Raimundo Facion. Bolsista da: Evangelische Kirche in Deutschland. E-mail: gersonjf@hotmail.com.

Referências

Downloads

Publicado

01.06.2015

Edição

Seção

Artigos sobre temas teológicos e interdisciplinares diversos

Como Citar

FISCHER, Gerson Joni. Neurociências e antropologia cristã: uma introdução. Vox Scripturae - Revista Teológica Internacional, São Bento do Sul, SC, v. 23, n. 1, p. 135–154, 2015. DOI: 10.25188/2447.7443.2015v23n1.317. Disponível em: https://revistas.flt.edu.br/voxscripturae/article/view/317. Acesso em: 6 jun. 2026.